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PROPOSTA DE CANDIDATURA

» Orçamento Participativo

da Câmara Municipal do Funchal

 

» 2020/21

Introdução & Memória descritiva da proposta:

A “Praia de São Tiago”, é uma praia com uma tradição muito antiga, que remonta ao período de colonização inicial da Madeira, no início do séc.XV. Ali se fixaram as primeiras famílias e, ali ergueram a Muralha da Cidade, que se estendeu até à Fortaleza de São João Baptista do Pico (Pico Rádio).

 

Naquele local se construiu igualmente a imponente Fortaleza de São Tiago (Forte de São Tiago), um edifício classificado que fora construído como fortificação de defesa ao porto do Funchal no início do séc. XVII. Devido à sua excelente localização, que beneficiava do extenso calhau (existente na altura) que adornava todo o perfil da baía da cidade, toda aquela baixa facilitava a atividade piscatória do então bairro de Santa Maria do Calhau, hoje “Zona Velha”.

 

Para além da atividade piscatória, a zona do antigo “Arsenal”, apresentava-se como um autêntico estaleiro vocacionado para a reparação naval, principal motor da economia local. Ao longo dos anos a paisagem naquela zona sofrera diversas alterações. Da Muralha, apenas existem pequenas secções, uma delas junto à entrada da Praia de São Tiago e, em relação ao Arsenal, há muitos anos que este fora desativado, tendo cedido lugar a um hotel (Hotel Porto Santa Maria). Mas, a praia de São Tiago, outrora apelidada de “Praia do Arsenal”, que ainda mantém alguma da sua identidade original, resiste ao passar dos anos mas, carece hoje de uma intervenção urgente, até porque, trata-se de um local de acesso público - como não poderia deixar de o ser - muito frequentado, sobretudo por pessoas idosas e com mobilidade reduzida que ali procuram sentir a sua comunidade, banhar-se e, estar com os pescadores, naquele ambiente único e genuíno destas “ancestrais” gentes funchalenses, hábitos e costumes antigos e genuínos que tendem em se perder, caso as entidades responsáveis não lhes dê o devido valor e, no caso, os próprios funchalenses, a necessária assistência.

 

Tendo presente que existem necessidades prementes a vários níveis para que esta praia se constitua uma verdadeira “praia acessível a todos”, com o advento do Orçamento Participativo por parte do Executivo Camarário, está criada a oportunidade certa para que se aproveite os parcos recursos financeiros da autarquia, para que se crie ali um verdadeiro ´ex-libris` para todos os Funchalenses e, para quem nos visita.

 

 

Proposta:

Assim, venho por este meio apresentar a minha proposta à candidatura para uma “Praia de São de Tiago Acessível”, uma candidatura destinada a melhorar a vida de todas as famílias que ainda permanecem enraizadas e ligadas ao espírito da antiga comunidade piscatória, dos “bamboteiros” que promoviam a produção local com a venda de produtos genuinamente madeirenses tais como o Bordado Madeira que era comercializado aos turistas que aportavam no antigo cais do Funchal. Dos “miúdos da mergulhança”, que ali criavam outro atrativo turístico, com a apanha da moeda atirada ao mar pelos turistas para observar as perícias dos “garotos do calhau” que se precipitavam das costas dos bamboteiros em canoas tradicionais, com entradas no mar sempre espectaculares e mergulhos certeiros para “caçar” mais aquela moedinha. Atividades e características únicas da identidade de um Povo que abraçava (e ainda abraça) o mar, pois este lhes proporcionava (e ainda proporciona) na maioria dos casos, a sua principal de ocupação de vida. Alguma “descendência” dessa comunidade, residente localmente ou não, mas que ali acorre diariamente, fá-lo uma vez que ali possuem as suas raízes, tradições, muitos ainda conservam (com algum esforço) as suas canoas tradicionais madeirenses, para do mar retirarem algum sustento adicional à sua economia familiar, visto não serem pescadores profissionais, mas sim, amadores. Ora, todo este património histórico e cultural importa dignificar, preservar e, se possível, melhorar.

Para tal, a minha proposta visa a seguinte intervenção conjunta, todas dentro do perímetro da Praia de São Tiago, um local de competência tutelar da Câmara Municipal do Funchal.

1)

 

» A começar pela entrada da referida praia, atualmente é visível o deterioração da calçada e do cimento que se encontra partido e a necessitar de reparação;

 

» Proponho na mesma entrada, a criação de uma zona específica e com o perímetro delimitado para a colocação devida de alguns contentores do lixo;

 

» Nova sinalética à entrada e em toda a praia, moderna e enquadrada, já com inscrições em braille para invisuais e, alguma informação com o resumo histórico daquela zona, da Zona Velha;

 

 

2) 

» Requalificação geral da zona de vestiários e cacifos dos pescadores locais, com alterações ao nível da sua disposição para melhor aproveitamento do exíguo espaço que lhes foi confiado, com a colocação de novos e modernos cacifos e vestiários, um novo duche e sanitário comum, nova iluminação interior e adequada, novo pavimento, pintura geral, uma nova bancada para os pescadores “amanharem” o seu peixe e, a colocação de uma pequena cozinha comunitária de serviço aos pescadores e suas famílias, com pré-ligação de gás, que cumpra os requisitos legais por uma questão de segurança e, um exaustor;

 

» Iluminação adequada ao Forte de São Tiago e em redor, com a colocação de luzes públicas tradicionais, com novos pontos de luz e, iluminarias adequadas ao valor histórico e patrimonial daquele edifício;

 

» Dois novos cavaletes (em ferro galvanizado) para a colocação das canoas tradicionais, equipamento que as protege das intempéries e facilita o manuseamento e transporte das mesmas para regatas entre outras atividades lúdico-desportivas que importam manter;

 

» Uma cadeira anfíbia designada por “tiralô”, que auxilia os idosos e deficientes na sua ida a banhos no mar e que, poderá ficar colocada em espaço reservado num dos dois cavaletes do ponto anterior;

 

3) 

» Criação de um WC (com duche) para pessoas com deficiência em cadeira de rodas, com as medidas regulamentares e com os acessórios impostos por lei vigente;

4) 

 

» Melhoramentos na rampa de acesso ao mar, aumentando-a significativamente, nivelando-a convenientemente já que a existente está desnivelada e, com um grau de inclinação manifestamente exagerado e, dessa forma, permitir o acesso ao mar por todos, simplificando igualmente a vida aos idosos e inclusive, facilitando a atividade dos pescadores, que atualmente sentem extrema dificuldade em varar as suas canoas tradicionais; Criação de um corrimão de apoio na rampa de acesso ao mar e, se necessária, uma pintura geral dos corrimãos que contornam a praia;

 

» Não sendo uma praia vigiada, nada impede a colocação de um suporte para uma bóia de salvamento junto ao mar, para em caso de socorro os próprios populares ou os banhistas possam atirá-la a quem dela eventualmente necessite;

 

» Reposição de calhau em toda a praia de forma abrangente, uma vez que as reposições anuais que ali realizam são extremamente insuficientes, face ao rápido desassoreamento que ali ocorre em épocas de marés vivas ou de vagas de grandes dimensões.

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